sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Preguiça

Preguiça, s. f. mandriice, indolência, mamífero desdentado do Brasil.

Obviamente, não vou falar do mamífero desdentado do Brasil, mas sim de um dos sete pecados mortais, tal como já havia referido.
A preguiça pode não parecer um pecado tão mortal como o que é dito, mas na realidade, a preguiça faz de nós alguém que não tem iniciativa. E a iniciativa é algo bastante importante. Portanto, este suposto quarto pecado mortal, pode não ser pecado, contudo, mortal é-o de certeza. Pode não nos matar literalmente, mas mata-nos aos bocadinhos, tirando parte de nós quando não queremos fazer alguma coisa.
E então, agora, vou explicar porque o escolhi em primeiro lugar; porque, simplesmente, tenho preguiça de escrever muitas vezes, gosto de escrever, tenho ideias, mas tenho preguiça. Tal como tenho preguiça de fazer muitas outras coisas, a preguiça já me fez mal, já me fez trabalhar arduamente quando não era necessário. Esta preguiça está a impedir-me de estudar para os quatro testes que tenho para a semana, de passar a minha roupa a ferro, de arrumar a cozinha, e de dizer coisas que quero.
A preguiça é muitas vezes letal. Corrói-nos por dentro, interioriza uma ideia de indiferença em relação a muitas coisas. Podíamos tornar o mundo melhor se não fossemos tão preguiçosos.
Existe uma máxima (por sinal, uma das máximas da qual eu mais gosto) associada à preguiça: “Nunca deixes para amanhã o que podes fazer hoje”, dita pelo Sr. Benjamin Franklin, o homem da electricidade. Realmente, se ele tivesse sido preguiçoso talvez eu não estivesse a escrever no meu computador agora.
São pequenas coisas que fazemos (ou que não fazemos) que são importantes, e a preguiça arruína tudo. A preguiça é realmente algo do qual nós não podemos fugir, porque somos humanos e, hoje em dia, faz parte da nossa existência sermos preguiçosos. O mundo pode acabar se continuarmos assim. A preguiça é realmente mortal. E até quando seremos preguiçosos?

domingo, 25 de novembro de 2007

Sete Pecados Mortais

Todos nós já ouvimos falar dos sete pecados mortais, mesmo que não sejamos religiosos. Todos conhecemos os principais: luxúria, inveja, gula... Porém, entre estes ainda existem a arrogância, ira, preguiça e avareza. Então, nós, Hermy e Mary, decidimos escrever sobre estes. Não por sermos religiosas, mas por estes sete pecados serem como pequenas armas para comportamentos destrutivos.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Pequena Casa

Existia uma pequena casa feita de cimento e tijolo. Por fora, parecia pacata e relativamente normal. Não tinha a arquitectura mais moderna, inovadora e bonita, mas não era má de todo. Sorria aos compradores, talvez por querer que a fechadura fosse utilizada quotidianamente. A porta, porém, era forte, parecia ser à prova de bala... E o algeroz era interior, o escoamento de águas não se dava pelo exterior; a água infiltrava-se lentamente pelas paredes e apodrecia os materiais. Agora, por dentro, nunca ninguém imaginaria que esta modesta casa tinha pilares tão fortes. Era escura, as janelas só tinham visibilidade para o lado de fora. Não haviam vestígios de utilização, só existiam partes um pouco gastas, quiçá, devido a agentes erosivos. Não havia um ambiente normal nesta pequena casa, não parecia normal. O chão estava coberto de pó, sombras, memórias. Algo dava a entender que estava danificada. Ninguém a queria comprar, o preço era demasiado alto para a casa que era. Talvez porque eu era essa casa.
Hermy

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Porto seguro

Sinto-me tão fundo, tão fundo... Não sei se consigo subir novamente, não sei se quero subir novamente. Tenho medo, sinto-me tão forte, e tão fraca. Não sei o que fazer... Procuro na minha consciência compreender o que quero fazer, e não encontro respostas. Quero respostas, quero responder, mas não consigo. Quanto tempo mais tenho de ficar neste impasse? Não sei... É como se tivesse uma enorme ferida no peito, e fosse arrancando a costa sempre que cicatriza... Como se gostasse dessa dor, como gostassem de me ver nessa dor. Fico tão bem na minha dor, na minha alegria fingida. Não sei ao certo quanto tempo vou aguentar mais... Não sei ao certo se consigo aguentar mais, mas algo eu sei, estou a meio caminho de algo, do quê? Não sei. Estou demasiado frágil, e quanto mais frágil estou, mais dura quero parecer, como se fosse inquebrável. Não estou a conseguir fazer o que faço, não estou a conseguir, sequer, tentar... Ver-me a não ser o que sou, o que os outros vêem em mim é exaustivo. Estou exausta, tudo me deixa exausta. Não sei quanto tempo aguentarei nesta dor invisível. Espero pelo dia em que tudo acabe. Preciso duma lufada de ar fresco... Mas não tenho porto seguro desta vez. Salva-me desta escuridão, salva-me só desta escuridão. Por favor, salva-me.